Os dois rádios

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Os dois rádios

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Certa vez, um mercador egípcio sentado à beira da fogueira à noite tomava seu chá quando alguém da caravana, que buscava um pouco de conversa lhe perguntou qual teria sido o melhor negócio que já fizera na vida.

– Sou mercador há anos, viajo daqui para ali, de lá para cá, sempre negociando com os mais diversos tipos de pessoas, mas um homem, certa vez em Medina me ensinou que às vezes o que parece sem valor, velho para mim ou para você, tem valor inestimável para outro.

– Como assim?

– Ele possuía dois rádios, o primeiro, pequeno, era um radinho de pilhas, velho, cujo som era ruim, chiado e não parecia valer muito, o segundo, ao contrário, era grande, tinha vários recursos, além de estar em melhor estado.

– Certo, e o que isso tem de tão impressionante?

– Ele queria 30 moedas pelo Rádio melhor e 100 moedas pelo radinho de pilhas, e eu questionei a ele o motivo de querer tanto dinheiro por um rádio velho que não valia nada, e então ele se sentou, tocou em meu braço e me disse:

– Vou lhe contar uma coisa:

– Você julga pela aparência destes dois aparelhos que este, o maior e mais novo, tem mais valor, concordo plenamente contigo, já que o outro está velho e é apenas um radinho a pilha, eu também assim pensava, e escondia este pequeno rádio no fundo da gaveta, seu som não era bom, já tinha passado muita raiva com ele e decidi por bem guardá-lo e comprar outro, e assim fiz.

– Com este rádio melhor passei a maior parte da vida, som cristalino, muitos recursos, me divertia e servia bem ao que eu precisava, mas um dia ele também estragou, fiquei desapontado, como eu faria para ouvir os programas que ouvia todos os dias? Lembrei do pequeno rádio, que mesmo abandonado há tanto tempo, funcionou perfeitamente quando ligado, continuou com os chiados, é verdade, mas cumpriu seu objetivo com perfeição.

– Daí eu me lembrei de como tinha sido injusto com ele, apesar de tudo, eu tinha aprendido a gostar de música com ele, tinha ouvido as primeiras notícias nele e agora, tanto tempo depois, ele ainda me servia.

– Eu levei o rádio novo ao conserto, ouço-o diariamente mas aprendi a conviver com as deficiências deste pequeno rádio e ele me serve muito bem, por isso não disporei dele por menor preço.

Desejamos sorte um ao outro e seguimos nossos caminhos, mas enquanto caminhava pensava nas palavras daquele homem e finalmente pude entender a mensagem que ele tentava transmitir, na vida às vezes valorizamos demais o poder e esquecemos das coisas pequenas, insignificantes que Deus em sua sabedoria infinita coloca em nosso caminho para nosso aprendizado.

Quando finalmente o mercador terminou de falar, vários olhos o fitavam em um misto de respeito e reverência pelo que acabavam de ouvir …

أن الله الحمد

Crônica escrita em 2016 – Ipatinga – MG

Postado ao som de:

Conhecendo André Henrique

Mineiro, torcedor do América FC, blogueiro desde 2004, técnico em informática, designer e desenvolvedor WEB, desenvolvedor WordPress, Microsoft Certified Professional, Cronista, escritor e admirador de Friedrich Nietzsche.

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By | 2017-12-10T00:18:25+00:00 6 de dezembro de 2017 às 00:17 hs|crônicas|0 Comentários