Dia de Chuva

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Dia de Chuva

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O dia amanheceu garoando, o vento frio que entrava pela greta da janela entreaberta colocava fim nos planos do garoto que tinha esperado tanto por aquele sábado, era um adolescente no começo do ensino médio, alto para a idade, cabelos lisos de penteado certeiro, bem cuidado, mas que iniciava uma fase de descobertas e das paixões, ele ainda não sabia muito bem trabalhar com aquele turbilhão de sentimentos, mal sabia que aquilo o acompanharia vida adentro, mas o mau humor tinha razão, tinha marcado um encontro no clube com a garota pela qual nutria um sentimento diferente de todos aqueles que havia sentido, pensava nela sem parar e queria estar perto dela sempre que possível, a mãe notou a cara fechada:

– O que foi Bruno? Qual a razão dessa cara amarrada?

– Esse raio de chuva mãe, tinha que chover hoje né!

– Ué, e por acaso chuva tem que avisar, marcar na agenda que dia vai cair?

– Queria ir ao clube.

– E o que impede? O clube funciona com ou sem chuva.

– Mas será que a Renatinha vai mesmo com chuva?

A mãe franziu a sombrancelha e então a ficha caiu, o filho adolescente estava gostando de alguém.

– A Renatinha da sua sala que mora no segundo andar?

– Isso

– Aquela loirinha?

– Tem outra mãe?

– Mas você tinha combinado algo com ela?

– Tinha, a gente ia pegar uma piscina.

A mãe então entendeu a frustração do filho, com a chuva os planos do garoto tinham afundado mais rápido que o Titanic.

– Chama ela para ver um filme aqui em casa, ou jogar videogame

– Mãe, jogar videogame?

– Ora, as meninas não gostam de videogame?

– Ela detesta, fica o dia inteiro no celular.

– Então chama a moça para ver um filme Bruno.

– Não tenho coragem, tenho vergonha.

E tinha mesmo, era tímido como a maioria dos garotos daquela faixa etária, não tinha idéia de como dizer qualquer coisa a garota, muito menos deixar claro os sentimentos em relação a ela, a mãe suspira, queria poder emprestar a experiência de uma mulher madura de 37 anos ao filho noviço nas coisas do amor.

– Se você não tentar vai se arrepender depois.

– Não tenho coragem mãe, deixa quieto, combino outro fim de semana.

A mãe sabia que naquela idade, as coisas não funcionam bem assim, uma semana é muito tempo nessa fase, e queria ver a prole feliz, coisa de progenitora.

– Tá bom Bruno, faça como quiser.

– Raio de Chuva, repetiu protestando e olhando para o céu cinza.

Não teve recurso, ligou o computador para tentar um chat com a garota e rever o compromisso, ela não estava online, tentou o mensageiro do celular, sem sucesso. Ficou chateado mas foi jogar algo com os amigos virtuais. A campainha tocou 5 minutos depois, não deu atenção, os tiros, a concentração naquele momento era mais importante, mas de repente ouve uma voz que seus ouvidos estavam acostumados a ouvir e dar atenção:

– Ei Bruno.

Esqueceu o jogo, virou-se e na porta do quarto estava parada lá sorrindo o que ele mais desejava na vida, loira e linda …

– Renatinha … Tá chovendo, o clube não vai rolar hoje.

– Eu sei, mas sua mãe foi lá em casa e deixou recado que você estava me esperando para a gente ver um filme.

– Minha mãe o que? Ah sim, é mesmo, eu pedi.

– Então, que filme vai ser?

Da cozinha a mãe encostada na parede, riu e balançou a cabeça, tinha feito bem seu trabalho mais uma vez. Carpe Diem!

Crônica escrita em 2016 – Ipatinga – MG

Postado ao som de:

Conhecendo André Henrique

Mineiro, torcedor do América FC, blogueiro desde 2004, técnico em informática, designer e desenvolvedor WEB, desenvolvedor WordPress, Microsoft Certified Professional, Cronista, escritor e admirador de Friedrich Nietzsche.

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By | 2017-12-10T00:23:26+00:00 6 de dezembro de 2017 às 00:30 hs|crônicas|0 Comentários